sábado, 14 de junho de 2025
O risco oculto nas instalações elétricas : Disjuntores antigos podem não funcionar
Na última semana, um morador da nossa cidade viveu uma situação que,
infelizmente, poderia ter terminado em tragédia. Após perceber falta de energia
em sua residência, ele verificou que o disjuntor não havia desarmado — algo
estranho, já que a luz do medidor continuava acesa, indicando fornecimento de
energia pela concessionária. Ao acionar um profissional, veio o diagnóstico: uma
emenda mal feita se rompeu, e os fios tocaram a estrutura metálica do padrão.
Isso gerou um curto-circuito tão intenso que os cabos chegaram a se fundir ao
metal, e o som gerado pôde ser ouvido a vários metros de distância. Um cenário
típico de risco extremo — e um detalhe ainda mais alarmante: o disjuntor, do
tipo antigo (“pretinho”), não atuou.
⚠️ A falsa sensação de segurança Muitos
acreditam que o simples fato de haver um disjuntor garante proteção elétrica.
Mas, quando o equipamento está antigo, vencido, mal dimensionado ou instalado de
forma incorreta, ele pode falhar — e falhar em um momento crucial. Disjuntores
não são eternos. Eles se desgastam, perdem a sensibilidade térmica ou magnética
e, como neste caso, podem não reagir diante de uma sobrecarga ou curto-circuito.
A oxidação progressiva dos disjuntores do tipo NEMA ( pretinhon) compromete
diretamente seu desempenho, elevando o risco de falhas operacionais. O acúmulo
de corrosão nos contatos eleva a resistência elétrica, favorecendo o
superaquecimento e podendo levar à fusão de partes internas do equipamento. Esse
risco se agrava especialmente em ambientes com alto potencial de combustão,
como: • Galpões de estoque de roupas, com grande concentração de tecidos
inflamáveis; • Marcenarias e indústrias moveleiras, onde há acúmulo de madeira,
pó de serra e vernizes altamente combustíveis; • Estúdios de produção e
instalações culturais, com equipamentos e materiais sensíveis ao calor e à
faísca. Um disjuntor que falha em locais assim pode ser o estopim de um incêndio
de grandes proporções.
🔎 Testes que salvam vidas — e estruturas Durante anos
atuando como técnico em Eletrotécnica, tive a oportunidade de trabalhar também
na Europa, onde normas rígidas e tecnologia de ponta são levadas muito a sério.
Foi lá que conheci a estação Fluke 1662, um equipamento profissional que permite
testar com precisão: • A atuação de disjuntores termomagnéticos; • O
funcionamento correto de disjuntores diferenciais residuais (DRs); • A
continuidade dos condutores de proteção (PE); • A qualidade do sistema de
aterramento funcional, essencial para evitar choques e surtos perigosos. Esses
testes são fundamentais em locais com equipamentos de alta sensibilidade, como:
• Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde qualquer oscilação ou falha
elétrica pode comprometer aparelhos vitais; • Centros cirúrgicos, laboratórios e
clínicas, que dependem de estabilidade energética contínua; • Data centers,
rádios e estúdios de gravação, onde perdas de dados ou falhas de sistemas podem
gerar danos irreversíveis. No Brasil, o uso de DR já é obrigatório pela Lei nº
11.337/2006 em áreas molhadas, e o aterramento é um requisito técnico da NBR
5410. Ainda assim, muitos estabelecimentos ignoram ou postergam essas adequações
— até que o pior aconteça.
✅ O que você pode fazer agora 1. Troque disjuntores
antigos por modelos modernos e certificados; 2. Instale DRs obrigatórios em
áreas molhadas, cozinhas e ambientes externos; 3. Solicite uma inspeção técnica
com testes de continuidade, resistência de isolamento e resposta de proteção; 4.
Implemente aterramento funcional e equipotencialização em instalações
industriais e comerciais; 5. Reforce os cuidados em locais com inflamáveis ou
com vidas humanas sob cuidados críticos. 🛠 Profissional habilitado faz a
diferença Assim como o AVCB não garante por si só a segurança contra incêndios,
nenhum documento técnico substitui o compromisso real com a manutenção e
inspeção preventiva. Disjuntores antigos, quando mal avaliados, oferecem uma
falsa proteção. Segurança elétrica é um dever técnico — e deve ser executado por
profissionais registrados nos conselhos competentes (CRT, CREA), com experiência
comprovada e, preferencialmente, associados a entidades como a ABRACOPEL. 📣
Finalizando… Essa história real serve como alerta: a segurança elétrica não pode
ser baseada na aparência de um disjuntor ou no papel de uma norma. O perigo
muitas vezes está invisível — até que uma faísca o torne incontrolável. Investir
em testes, atualizações e responsabilidade técnica é mais barato do que
reconstruir uma estrutura destruída por um incêndio — ou lidar com a perda de
vidas. Por Emerson Oliveira Souza – Técnico em Eletrotécnica, formado no Brasil
e na Europa, associado à ABRACOPEL.
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